Um desafio de UX: do início ao futuro das redes sociais.


Quem se lembra daqueles Cadernos de Perguntas que rodavam as 5as, 6as e 7as séries? Para quem não sabe o que é, a trata-se de um caderno brochura (mais barato) usado para fazer uma série de perguntas às pessas do colégio. Quem recebia o caderno podia deixar um recado, divulgar seu perfil, conhecer outras pessoas, dar opiniões e fazer amizades. Assim como são as redes sociais que usamos hoje.

Tudo estava tão claro e evidente que a única pergunta que eu não consigo responder agora é: POR QUE NÃO PENSEI NISSO ANTES? Acho que a pessoa que inventou o Orkut certamente tinha um Caderno de Perguntas. Não só quem inventou o Orkut, mas, será que a web como conhecemos hoje pode ter sido inspirada no Caderno de Perguntas?

Tá, agora vem o assunto sério, acompanhem comigo:

- O caderno tinha uma capa toda trabalhada com colagens de revistas e encapado com papel contact transparente, que hoje pode ser relacionado ao background adaptável exemplos do Gmail, site da MTV gringa , etc.

- As pessoas tinham que definir perfil, assim como nas redes sociais e blogs.

- As respostas no caderno podem ser entendidas como scraps.

- As pessoas favoritavam suas escolhas (o(a) menino(a) mais bonito da escola, o cantor preferido, música preferida, etc) e, o mais votado, era o assunto mais comentado no colégio.

- Quanto mais pessoas queriam responder seu caderno, mais ele era comentado e mais você aumentava seu capital social dentro da escola.

- Assim como o Twitter, havia limite de linhas para cada resposta.

- Ele era bloqueado pela professora durante as aulas, mesmo que ela pegasse para ler e se divertir com que estava acontecendo, assim como as empresas hoje bloqueiam as redes sociais, mesmo que algumas pessoas tenham acesso livre.

Viram só? Parece loucura, mas na verdade, o sentido dessa comparação é provar que a maioria das coisas que usamos e consumimos hoje são adaptações dos nossos desejos e relacionamentos do passado, especialmente quando o assunto é tecnologia, que demanda mais tempo entre as etapas de projeto até virar um produto. Afinal, o sentido que o ser humano busca em suas relações acaba sendo o mesmo, idependentemente de como isso é feito: web ou não. E esse é o princípo de UX.

Outra exemplo disso, é que as empresas testam os sonhos e intuitivo infantil para criar um novo "hit" de consumo. As ideias mais inovadoras e criativas, geralmente estão relacionadas com objetos antigos ou com os desejos e imaginações da infância. O mesmo pode ser dito em relação aos produtos que consumimos hoje. Certamente alguém analisou o que já era hábito e intuitivo da nossa geração (década de 70-90) e traduziu isso em produto. E o melhor: com teste com o usuário e projeto já amadurecido.

Certa vez, em uma palestra de UX com a Professora da FIT, Thaís Campas, ela nos passou o seguinte recado: fiquem atentos aos seriados de TV e filmes futuristas. Geralmente, eles usam esses programas para desenvolver nosso senso intuitivo para consumir futuros produtos que já estão sendo "lançados" no nosso imaginário de espectadores. Daí para um lançamento efetivo e aprovação desse produto pelos usuários é só questão de prazo de desenvolvimento, aceitação e implementação das tecnologias que irão fazer essa ideia ser viável.

É bom pensar no futuro, nos últimos lançamentos do Gizmodo mas sem perder a chance de traduzir as relações do passado para trazer a próxima ideia que vai superar todas as redes sociais. Quem será o primeiro? Fica lançado o desafio.

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