Por que já estão declarando o fim do wireframe?

Inside/Out from Switch Interactive on Vimeo.



Estamos vivendo uma época de transição na internet. Em outubro/2009, escrevi no meu blog um artigo sobre o EBAI, discutindo como empresas e pessoas ligadas à UX estão dando cada vez menos importância ao wireframe.

E agora, desenvolvendo meu trabalho de conclusão da Pós-graduação em AI, percebi o quanto essa tendência já chegou tarde ao Brasil.

Ao estudar para o trabalho, pude concluir que, realmente, o papel do Arquiteto da Informação está cada vez mais direcionado à experiência do usuário e ao fluxo organizado das informações e não, necessariamente, precisamos de um wireframe navegável, todo "cheio de caixinhas" para que o projeto seja considerado de fácil navegação e intuitivo.

Alguns artigos interessantes contam um pouco mais sobre isso. Nesse, fala um pouco sobre como um modelo tradicional de wireframe está prestes a acabar. E como ele pode até atrapalhar o design de interação, quando este é super importante na experiência do usuário.

Enquanto isso, esse outro artigo, fala um pouco da importância do fluxo da informação na experiência do usuário.

Junto à todo esse contexto, percebemos cada vez mais sites "gringos" bem contextualizados, com relevância de informação, design indiscutíveis e o melhor: totalmente intuitivos, trabalhando especialmente o fluxo das informações. São os data visualization: muitas vezes usam infográficos em 3D para representar um contexto onde o usuário é parte determinante na estruturação das informações.

A Smashing Magazine em 2007 fez uma lista de referências sobre o tema. Muitas delas criadas em 2003/2004. E no Brasil, pouco tem-se produzido neste sentido, o que podemos considerar um "novo caminho" para os Designers de Interação, Arquitetos da Informação e UX. E mais: um "novo caminho" para o processo de informação na internet: totalmente intuitivo, interativo e dinâmico. Isso já é web 3.0, isso já é web semântica pura. Isso é muito mais User Experience do que criar caixinhas com botões que mostram onde ir e vir. Então, por que não tornar o ir e vir das informações totalmente intuitivo?

Pensando assim, o papel do Arquiteto do Arquiteto da Informação como conhecemos, ainda tem muito o que se desenvolver por aqui. E sua forma de trabalho atual, pode ser totalmente inovadora se for relacionada à integração de sistemas web em funcionalidades/produtos que ainda não tem histórico de interação web, como TV Digital, eletro-domésticos, eletro-eletrônicos ou segurança pessoal.

A internet (desktop e mobile) como conhecemos e trabalhamos hoje está muito mais intuitiva do que nunca. Num sistema onde volume de informação trafegada ultrapassa a casa dos bilhões ao dia (como mostra nesse vídeo que relata os números da Internet no mundo _fev/2010) o profissional de User Experience, ainda tem muito o que inovar se encarar a organização da informação como um estudo de Psicológico ou Antropológico do que qualquer outra coisa.

Lógico que, a experiência em estrutura da informação como trabalhamos dia a dia, ajuda (e muito) a entender melhor a construção desse fluxo de informação complexo.
Mas vale passar mais horas numa mesa de bar, conversando com diversos tipos de pessoas para entender como elas pensam e quais suas ambições para ter uma grande ideia, do que ficar o dia todo decorando as regras das "heurísticas de Nielsen", "governança" ou "cardsorting", já que nesse tipo de sistema, o usuário classifica suas informações em "real time", durante sua interação.

A Teoria do Caos, explica um pouco tudo isso, segundo uma dica de Matheus Haddad. Numa conversa com ele, ele citou um exemplo relacionado ao trânsito na Índia e achei genial: "em meio ao caos, as pessoas conseguem se organizar de alguma forma para conviver bem".


Esse é o desafio que estou tentando incorporar ao meu dia a dia: investir mais parte do meu tempo em pesquisas, entender as pessoas e compartilhar essa experiência como resposta de trabalhos realmente inovadores, mesmo que seja só no Brasil.