Interaction Design: interação fora das telas | 1a parte

Durante esse mês, o tema do Blog vai ser Design de Interação e suas ramificações.

O mais interessante dessa disciplina é a capacidade de evoluir pensamento crítico para concepção de uma cadeia de interação para um produto ou serviço. Tá certo que a maioria dos cursos focam em Design de Interação pensando somente em plataformas digitais, mas o ideal é pensar o serviço/produto  todo, desde entender comportamento até a indicar a interação que se quer atingir.

Aí que entra uma outra disciplina: Service Design, que recomendo aprofundamento para evolução do profissional de Interaction Design e Arquitetura da Informação além das telas.

E isso existe? Interação além das telas? Vou provar que sim. Estive contato com uma experiência muito simples e bacana de Interaction Design para livros.

O exemplo trata-se do livro Bartleby, o Escrivão, da editora Cosac Naify  Pode ser que o designer que criou esta capa, não tenha pensado em tudo isso, mas acontece que o processo de Explorar, Criar e Evoluir, atingiu o objetivo exato de design de interação.

Ao passear pela Livraria Cultura numa destas semanas passadas, os livros da editora Cosac Naify estavam em promoção. Queria levar algo para ter uma experiência bacana de leitura. Então, me chamou atenção a capa de um livro: simples, com um apelo visual diferente e com um call to action matador, daquelas que ganharia mil cliques em 10 segundos nos Ads do Facebook. Havia um selo dizendo: "Apesar de ##mil cópias vendidas, acho melhor não comprar".  (a chamada não fotografei...sniff)




O apelo da mensagem está de acordo com o comportamento do usuário e cenário de uso: temas que fazem parte da etapa de pesquisa e observação do Service Design. Isso porque, a chamada é para a grande maioria dos curiosos, buscando informação dentro de uma livraria. Nada melhor que  incentivar a descobrir algo secreto para alguém pré-disposto a buscar por novidades, em uma livraria. O ato de contar um segredo, também indica "proximidade", já que só se conta um segredo para quem você realmente considera amigo, certo? Ainda incentiva toda a questão filosófica da "fofoca", especialmente trabalhada nas redes sociais, onde as pessoas não querem ficar por fora daquele assunto que a maioria dos amigos já conhecem. Ponto para o designer sobre Observação e pesquisa de Comportamento.

Antes de contar toda a história, atente-se às etapas de Service Design, que encontrei nesse diagrama:

O processo Exploratório, que chamo de Planejamento, é etapa de observação e reflexão: quase obrigatoriamente fudamentado em pesquisas para indicar como deve ser o primeiro contato com o usuário, entendendo cenário de uso e influências no ambiente. No digital de uma agência de advertising, seria o planejamento dos meios de comunicação e abordagem para cada um destes meios. E no offline também em uma agência de comunicação, seria o estudo de ambientação visual: pensando na disposição do livro, totens e capa. Imagine que, dentre tantas capas coloridas com imagens de pessoas, a simplicidade desta capa com uma chamada interessante, certamente se destacou.

Aí, ao começar a ler, me surpreendi novamente. Todas as páginas do livro pretas, e sem nada escrito!!

A não ser quando você recortava pagina a página pela dobra para ler o que estava por dentro deste interessante livro de páginas pretas. Tudo a ver com a sequência ao mistério da chamada, aumentando a expectativa do leitor sobre a experiência. É o que chamamos também de storytelling de interação, que está na etapa Concepção, onde definimos o fluxo de interação: é também momento de refletir sobre objetivo de cada interação, e seguir o planejado para que a ação aconteça e pareça atraente para engajar o usuário até o final do processo

O trabalho em equipe ajuda a reflexão dos temas. Afinal, em Service Design, não existe uma pessoa responsável, é como o processo de adotado para gerenciar trabalhos. Gosto de comparar aos processos convencionais de gerenciamento, como "scrum", "PMI". Considero Service Design para uma melhor forma de conduzir um trabalho interativo. 

Importante atentar-se que a palavra "design" nesse processo vai além do visual. Ela é relativa ao "desenho/arquitetura" de um processo de interação.


Durante a leitura, essa coisa de abrir página a página, tinha tudo a ver com a história do Bartleby. Mesmo com uma narrativa psicológica profunda, porque você sentia exatamente o que o narrador queria dizer, era ao mesmo tempo simples e fácil de entender, assim como as boas práticas de experiência de interação e usabilidade indicam para as práticas de Arquitetura da Informação e Design de Interação. 

E a experiência de organização do conteúdo do livro, também foi pensada no storytelling, ou fluxo de interação, como preferir. 


O prefácio aparecia no final para que o usuário não perdesse a curiosidade e a expectativa de leitura no início da experiência, que poderia provocar a desistência de ler o livro. O mesmo acontece em design de interação para e-commerce: fazer o usuário preencher cadastro antes de ter a principal interação, pode fazer com que ele desista de comprar o produto por uma experiência burocrática que interrompe suas expectativas, já que ele está focado na escolha do produto e interação com a vitrine. No livro, o usuário está focado em desvendar o personagem Bartleby.

Final de fluxo: hora de evoluir  e pensar nas próximas interações possíveis como exemplo, pós compra, relacionamento e aprendizados decorridos de todas as interações, a partir de análise de dados e relatórios e resultado das vendas.

Viram como Interaction Design vai além do on-line? Uma vez aprendendo a disciplina, a sequência de como você irá usar a sua interação com usuário faz parte das suas correlações e aprendizados conforme seu histórico profissional.

O mesmo para quem quer evoluir aprendizados sobre Service Design, disciplina que está sendo absorvida por especialistas em Arquitetura da Informação, Interaction Design e Design Thinking, já que estas especialidades também praticam as ações de pesquisar, planejar, criar e validar as mais diversas interações com foco em comportamento.










Um comentário:

Sérgio Monteiro disse...

Gostei do seu texto.

Mas como um agilista, não vejo o Scrum como um processo convencional, o PMI com o seu PMBOK, este sim pode oferecer algo mais convencional.

Ainda falando um pouco sobre Agile (Scrum faz parte desse guarda chuva) o próprio Tim Brown da IDEO confessou que compartilha conceitos do Design Thinking com o Agile.

E para mim Service Thinking não está tão distante assim do Design Thinking, logo todos esses processos vieram para quebrar paradigmas e criar novos dogmas só que agora centrado no ser humano.

Continue escrevendo, seu texto é fácil de ler.

Abraços,

Sérgio Monteiro