Retrospectiva do último dia de palestras no Interaction South América 2013 | Recife



No segundo dia de Palestras do Interaction South América 2013 #isa13 ou @ISAmerica2013, grandes nomes do Design de Interação ajudaram a encerrar a temporada no Brasil com chave de ouro. 

Algumas palestras foram mais técnicas, outras mais provocativas e todos com uma mensagem relevante. 

Catarina Motade Lisboa, despertou o conceito de inovação a partir da transformação em todos. Falou sobre o uso inteligente de materiais para proporcionar incentivar o "Designing for Hackability", onde a mensagem principal incentiva os designers à observarem tudo que está em volta como algo ainda não terminado. Todos os objetos tem capacidade de transformação e interação. A partir do conceito primário dos objetos, é possível transformá-lo em algo verdadeiramente novo e adaptável às necessidades das pessoas." Isso se aplica a produtos, serviços e até mesmo à metodologias.




Bill Buxton , Luciano Meira despertaram o lado emocional do Designer de Interação. Sarah Córdoba a apresentou o modelo de trabalho da Booreiland, algo que as agências sonham em construir, mas ainda não encontraram o caminho. 



Luciano, deixou a platéia em êxtase, no seu discurso provocativo, incentivando a aplicabilidade do Design de Interação como uma das principais soluções capazes de transformar forma como se interação entre a escola e os alunos, exibindo seu excelente trabalho de Jogos Educacionais, realizados em sua colaboração junto a OJE - Olimpíada de Jogos Digitais e Educação (OJE) -, um projeto de inovação baseado em tecnologias educacionais lúdicas.


Bill, encerrou o evento fazendo todos pensar sobre a responsabilidade criativa e estratégica do Designer de Interação. Nos despertando para uma 'pausa' para as relações humanas. 

Afinal, o sonho de todos é criar produtos de alto engajamento, aumentando o tempo de uso e interação.
Mas será que não estamos ao mesmo tempo incentivando as pessoas a serem menos humanas? Será que estudamos comportamentos humanos, para as pessoas serem menos humanas?



E comparando agora aos jogos no ensino fundamental, será que estamos incentivando a educação ou promovendo uma sociedade mais distante dos valores humanos, e cada vez mais competitiva?

Temas como este me fizeram pensar em tudo, reavaliar objetivos e observar mais o outro.

Ali mesmo, no cantinho do Palco, haviam pessoas que estavam assistindo à tudo, guiados pela tradução em Libras.



Como será que estes profissionais interpretaram os contextos das paletras, como eles se colocam ou percebem sua participação dos profissionais de Interaction Design? 

Resolvi então convidar a talentosa Arquiteta da Informação Beatriz Lonskis, também palestrante no Lighting Talks, para essa rápida entrevista:



- Como é o seu dia a dia trabalhando Design de Interação? Conte-nos rapidamente.
Atualmente, estou trabalhando na Arquitetura de Informação dos produtos do portal Terra, onde estou fazendo pesquisas com usuários. Os métodos vão variando conforme cada projeto que necessitar. Um dos projetos mais marcantes neste ano foram as pesquisas com usuários no metrô da Linha Amarela sobre consumo dos conteúdos nas telas.


- Você buscou o ISA13 por um tema específico, ou para atualização profissional?
Foi mais para atualização profissional. Também estava animada para apreciar palestras dos profissionais renomados, conhecer trabalhos e projetos dos colegas talentosos da área e rever amigos profissionais. Gostaria de aproveitar este espaço para parabenizar a todos envolvidos na organização desse evento fantástico, que deixou marca em todos nós.


- Muitos palestrantes brincaram com a interpretação em Libras, como sentiu-se nestes momentos?
Pelo tom dessas brincadeiras, achei divertido. Porque é natural a gente se surpreender com algo que ainda não consideramos familiar. Falando em surpreender-se, Jared Spool apareceu sinalizando “design thinking” na hora de tirar as fotos :D



- Bill Buxton falou que o uso do 'celular' no carro deve ser pensado na interação entre todo o ambiente interno e entre as pessoas que compartilham esse ambiente. O que me fez pensar na seguinte solução: comandos de voz, com reconhecimento de voz de comando. No caso de tornar comandos acessíveis para deficiência auditiva, como poderia ser?
Acredito que uma das tecnologias que poderiam ser mais aplicadas para esse contexto de interação entre ambientes e pessoas seriam sensor para reconhecimento dos gestos, telas touch screen e os visores que permitem visualização das pessoas enquanto houver conversação, tanto através de textos quanto de língua de sinais. Como exemplo, há 2 protótipos, que usam o Kinect, da Microsoft (quem diria :) )


Protótipo chinês com sensor Kinect para língua de sinais, de Microsft Research:


Protótipo da casa inteligente:



- Ao assistir as palestras, Lighting Talks ou Estudo de Caso do ISA13, você se recorda de casos e sucesso ou insucesso para acessibilidade?
Houve alguns casos de estudo que eu gostaria de assistir, mas coincidiu com o horário da minha palestra de Lightning Talks. 

Um estudo no qual eu estou interessada, trata a experiência do usuário como fator no desenvolvimento de produtos para cegos, de Edward Thieme e Régio Pierre da Silva.

Infelizmente, ainda se vê poucos estudos e projetos de acessibilidade em nossa área.
Em compensação, isso nos mostra que ainda há muita coisa que podemos fazer para ajudar esses usuários a atender as suas necessidades de alguma forma.

- Para quem não pode ir à sua Palestra com o título "Lendo emoções na pesquisa com usuários" o que você poderia complementar?
No #ISA13, tive oportunidade de falar sobre a importância de detectar algumas emoções nos usuários durante
pesquisa e/ou entrevista. 

Muitos de nós costumamos prestar atenção no que eles falam e fazem, mas frequentemente esquecemos que há outras emoções, presentes no rosto e corpo, que podem ser cruciais para feedback dos estudos. 

Apresentei uma introdução de estudo do psicólogo Paul Ekman sobre micro expressões. 
São pequenas expressões faciais, quase imperceptíveis, pois duram bem menos que um segundo. Para melhor reconhecimento, é só estudar e praticar como qualquer aquisição de uma habilidade inédita.

Ainda perguntei à Beatriz sobre os estudos abordados por Luciano Meira, do ponto de vista de Acessibilidade na Educação. A questão é que há poucos estudos ainda nesse contexto. E com isso, deixo aqui registrado seu pedido:

Beatriz Lonskis"Espero que todos nós, da área de design de interação, possamos descobrir alguma proposta construtiva e útil para evolução da educação em nosso país."


Termino esse post, agradecendo especialmente à Beatriz e à equipe do Interaction South América 2013 | Recife  e a todos os integrantes do IxDA Brasil por terem nos proporcionado novos encontros, grandes amizades e essa excelente oportunidade de partilhar opiniões e conhecimento. 

Esperamos estar juntos trabalhando com vocês novamente em 2014, na Argentina. 

www.facebook.com/DuxCoworking



Preparem-se.

Arquitetura Urbana e Design de Interação: um casamento perfeito


Nos dias do Interaction South América 2013, acompanhei casos de experiências interativas em ambientes urbanos.

Em 2011, Caio Vassão, nos presenteou com sua palestra sobre Ecologias da Interação,  


Este ano, com Gustavo Requena, pudemos ver alguns exemplos de experiências emocionais em espaços urbanos.


A interação em espaços urbanos também foi tema de Artigos Acadêmicos, "Riscos: interações Sociais Urbanas" apresentado pela jovem e talentosa Isabela von Mühlen Brandalise,


onde um jogo interativo proporciona uma experiência de descoberta de novos espaços urbanos, a partir da gamificação de mapas. 


Ainda não podemos nos esquecer do Pedro Miguel Cruz, que mostrou diversos trabalhos referências no mundo todo,  traduzindo as informações de trânsito de Lisboa em uma metáfora interativa da cidade, por meio de data visualization  ele conseguiu colocar arte e despertar a atenção do mundo ao relacionar o trânsito, à um organismo vivo, e as vias de tráfego, como as "veias" do corpo humano, responsáveis por manter esse corpo em funcionamento. 

O fato é que as experiências multidisciplinares estão cada vez mais evidentes no perfil dos Designers de Interação.

Ontem, um expectador comentou "no futuro, os designers poderão não fazer produtos", inspirado pela palestra de Guto Requena, mas são responsáveis pela desenho estratégico e prototipável do conceito criativo, para a realização dos projetos.

Comparando esse pensamento ao processo de Lean UX, que agiliza o processo de desenvolvimento de um produto criativo, apresentado por Josh Seiden, me veio a seguinte questão:

Ao passo que a "softwarização" de produtos e serviços exige cada vez mais processos rápidos de prototipação e resposta dos usuários, o Design de Interação também caminha para o desenho de espaços interativos mais complexos, no sentido que exigem ferramentas simples de prototipagem, mas o ambiente de teste pode ser espaços tão complexos quanto os espaços urbanos.

As formas de pesquisa em URLs, também ganharam agilidade, e se tornaram complexos a medida que somos cada vez mais responsáveis pela compreensão do comportamento humano, o sistema mais complexo de todos.

Cabe a nós, Designers de Interação a análise crítica e seletiva de processos que se adequam melhor aos objetivos de cada projeto. A princípio, devo concordar com meu colega expectador: estamos cada vez mais desenhando novos conceitos de interação do que efetivamente, desenhando produtos.


Processos de descoberta e testes de UX ou Focus Group, como assim?


Hoje recebi a seguinte dúvida: como identificar se devo iniciar um processo de pesquisa com Experiência do Usuário, ou Focus Group?

R: UX é um processo que tem foco em compreender as pessoas para realizar projetos interativos. Nesse processo, podemos realizar Entrevista de Profundidade ou o Focus Group, entre outros métodos como Imersão por exemplo.

O termo UX veio de alguns evangelistas de IHC, onde a tecnologia se coloca a serviço das pessoas. Agora ganhou força com metologias de Service Design, para representar resultados de negócio.

A Entrevista de Profundidade, é uma descoberta mais profunda do comportamento de um individuo que representa um grupo. 

O Focus Group assim como a Entrevista de Profundidade, são usados para obter resultados qualitativos. 

Os objetivos entre eles são diferentes.

No Focus Group, o envolvimento do Moderador com o Entrevistado é uma dinâmica em grupo: não é tão profundo no comportamento do indivíduo que representa esse grupo.

Também usamos Entrevistas de Profundidade para validar opinião de um grupo, mas a abordagem é mais profunda no comportamento do indivíduo.

Eu, por experiência em dinâmicas com adultos, muitas vezes prefiro a Entrevista de Profundidade ao Focus Group porque estas pessoas em um Focus Group, muitas vezes 'mentem' ou 'ficam inibidas' de expor sua opinião para um grupo desconhecido. 

Eu prefiro uma abordagem mais profunda com o indivíduo, pois geralmente consigo uma troca mais rica, uma destas formas é a Entrevista de Profundidade. 

O que não impede que a gente realize uma Focus Group, se o objetivo de relatório desejado seja relacionado à um comportamento mais amplo.

Tudo depende do perfil dos entrevistados, da necessidade do cliente, e do investimento disponível.
Seria muito legal compartilhar com vocês algumas metodologias e opiniões. 
Espero comentários!!

Abs, Melina