Entrevista com Melina Alves sobre carreira em User Experience

Blog de AI criou uma coluna para falar um pouco sobre como os principais profissionais de UX do Brasil construíram suas carreiras. E a minha entrevista você pode ler também abaixo:

A entrevistada dessa semana foi a Melina Alves.
Melina Alves_UX Specialist_DUX Coworking
Um dia, alguém me perguntou “Melina, porque as Redatores estão entrando no mundo da Arquitetura da Informação?” Eu respondi: porque contar histórias de um jeito que motive as pessoas a chegarem no final é um objetivo comum entre as áreas, e talvez o principal elo entre as duas profissões.

Como começou a trabalhar na área?

Comecei com Arquitetura da Informação antes de saber que fazia isso, em 2003, na Fábrica Comunicação Dirigida, uma agência de Marketing Direto e CRM. Na época, o email era o melhor meio de interação e com o sucesso do Orkut, cresceram as demandas para criar Rede Social para Intranet. O redator fazia as telas formatando o conteúdo em Briefing, organizando o fluxo de informação do trabalho visual, realizado pelo diretor de arte como dupla de criação. Não sabia que Design de Informações, era parte da Arquiteta da Informação.
Até que por volta de 2006, já na SunMRM, comecei a estudar e a entender de verdade esse universo via blogs, livros e em contato com alguns profissionais da área. Minha primeira Arquitetura em Wireframe foi feita no Word e Powerpoint: criei o site institucional da Bimbo, antes desta agência ter efetivamente um núcleo de AI.
Nessa época, as agências de Direct Marketing – atualmente a maioria delas são Digitais como posicionamento -, eram aquelas que melhor conversavam os temas de comportamento, porque traziam consigo a inteligência de CRM, e o discurso de comunicação 1 pra 1, resultando em vendas. E quem os Redatores, profissionais disputadissimos do Marketing Direto, eram os que mais colocavam em prática as interação, ou interlocução com os usuários, porque precisam envolver os usuários nas ideias, seja através de um design de interação impresso ou digital. Para esse mercado, não era valida a “grande sacada” , precisava pensar em call to actions, design de serviços e resultados.
Depois, me envolvi bastante com SEO e SEM, me formando como Google Adwords Advanced Professional.
Sou graduada em Propaganda, estudo sempre Filosofia e Pscicologia e me especializei em Arquitetura da Informação e Roteiro de Cinema Longa Metragem: participava de encontros de roteiristas, concursos de curtas e longas e animação tudo como parte do trabalho e da experimentação. No trabalho, utilizava esse conhecimento para entender de pessoas, ou melhor, personas para UX e, para escrever filmes institucionais. Eu fazia do roteiro à montagem, como para Redecard, FSBFoods e até criei um programa de auditório para endomarketing pautando o roteiro e a direção da Marina Person para um evento chamado Orbitall Kids.
Como Arquiteta, tive o privilégio de participar da criação de uma área Digital na Insula e trabalhar meu perfil empreendedora, junto com um time de profissionais excelentes. Lá, iniciei a área de “Arquitetura de Experiências”. Éramos uma equipe reduzida, com muita credibilidade e capacidade de realização. Todos executavam tarefas de maneira multidisciplinar, determinante para integrar UX nas demais áreas. Ainda participei da evolução do 1o App do Brasil, o Seu Auto – Bradesco, depois veio o 1o App com realidade aumentada, o Presença – Bradesco, depois veio a concorrência da TIM, e não parei mais. Foram anos motivadores que transformaram minha percepção de potencial de realização, porque coloquei em prática todas as áreas de conhecimento que havia sido limitadas há um critério de RH, até então. Graças ao meus chefes na época, Fabiano Coura, hoje VP de Estratégia da R/GA e Alfredo Reikdal, Gestor Geral da Razorfish e Digitas, que me disse “Melina, vai ganhar dinheiro, isso que você conhece ninguém do mercado faz”. Então trabalhei em mais algumas agências como iThink, AlmapBBDO, Razorfish e Digitas enquanto colocava em prática meu projeto de vida com foco em UX do jeito que acredito que tenha que ser. No final de 2010/2011, criei a DUX Coworkers : uma rede de “coworking services” de UX, onde profissionais multidisciplinares pesquisam, criam, testam e realizam produtos e serviços com foco em Design de Experiência e Interação, trabalhando de maneira colaborativa com times das Agências, Start-ups e Empresas.

Por que UX?

Porque UX não é para os acomodados. Quanto mais você realiza projetos mais o seu universo de possibilidades se multiplica. Pra mim, isso é fantástico!

Um conselho para quem está começando: 

Aprofunde a sua percepção de comportamento das pessoas e no pensamento estratégico, depois vá para o design. Isso não se aprende só nos livros, mas principalmente, quando você se desliga do celular, sai das bibliotecas e vai viver e entender a vida real. Na minha vida, isso foi determinante para saber conduzir uma conversa em qualquer situação. Não aprendi isso só no trabalho comum de UX, mas começando a trabalhar efetivamente.
Aos 10 anos, já ajudava a minha mãe como cabeleireira. No salão, aprendi a importancia das pessoas e do dinheiro. Ainda pude perceber que o cabeleireiro pode ter diversas habilidades de “UX” sem formação. Assim como nós, ele também precisa compreender as motivações das pessoas para ganhar a confiança, saber vender seu produto, e trabalhar o resultado que é o cabelo, do jeito mais próximo das pessoas, deixando bonito e usual possível, refletindo em seu conceito o propósito daquele produto para os clientes (ou consumidores): seja para melhorar aspectos ou para criar uma nova experiência.

Citação preferia de UX: 

Não é uma citação, mas uma imagem para refletir.
Na minha opinião o ponto de vista de Dan Saffer sobre UX Design é o mais condizente.
The Disciplines of User Experience - Dan Saffer
Esse infográfico reflete o ponto de vista de que o especialista em UX deve ser multidisciplinar, e isso não se aprende na Graduação ou em um curso de 3 dias. Para ser um especialista, você deve ter pelo menos 50% das habilidades integradas como potencial de realização de projetos com foco em UXD.

Livro favorito de UX:

Uma experiência exemplar:

Ter sido Eleita entre 10.000 mulheres empreendedoras do Brasil pela FGV e Goldman Sachs. Com isso, ganhei também a mais uma especialização, me formando em Administração Empreendedora na FGV, o que agregou mais conhecimento e experiência de vida em contato com as histórias e as dificuldades enfrentadas pelos empreendedores/as e start-ups do Brasil, melhorando a relação direta com meu jeito de pensar UX para os negócios, deixando ainda mais claro meu compromisso de trabalho: melhorar o comprometimento dos designers da DUX com serviços e produtos, auxiliando na percepção direta do impacto das suas decisões na vida pessoal, na vida dos consumidores e do mundo.

Onde seguir a Melina

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